O aquecimento global poderá mudar radicalmente a geografia da agricultura brasileira, provocando uma drástica redução de áreas úteis agricultáveis, a migração de lavouras de um Estado para o outro, ameaçando emprego e renda e jogando para o alto os preços dos alimentos no mundo a partir de 2020. Esta é a conclusão de um levantamento realizado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelo Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura), da Universidade Federal de Campinas.
“Se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas ou adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração de plantas para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores”, afirmam os autores do trabalho, Eduardo Assad, da Embrapa, e Hilton Silveira Pinto, da Unicamp.
A pesquisa avaliou o impacto do aumento da temperatura nas culturas de algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho e soja, que, juntas respondem por 86,17% do total da área plantada no país. Com exceção da cana e mandioca, todas sofreriam queda na área de baixo risco de plantio e no valor da produção. Para Rodrigo Pontes, assessor técnico da FAEMG, com a tecnologia e a ação humana, é muito difícil precisar o que vai acontecer na agricultura daqui a 50 ou 70 anos, mas os estudos climáticos são válidos porque chamam a atenção para a necessidade de mudanças.
Estado de Minas - 11/08/2008
Notícia adaptada pela equipe do PET Agronomia-UFGD